Nossa conversa hoje é com Gabriel M. Cavalcante, graduado em Administração pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), tem Mestrado em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação, no PROFNIT. Nosso bate papo é sobre sua experiência enquanto Pró-Reitor substituto da Pró-Reitoria de Inovação Tecnológica da UFAM (PROTEC), e o quanto os conhecimentos adquiridos no mestrado o ajudaram neste ato.
Iniciamos perguntando:
Como foi assumir a responsabilidade enquanto Pró-Reitor, qual foi o principal desafio e o qual ou quais foram as principais aprendizagens nesse período?

Eu penso que o principal desafio é saber endereçar algumas respostas relacionadas às demandas que existem.
“Porque alguns processos aqui dentro da Universidade, não só aqui na PROTEC, mas de forma geral, aparentam que não estão bem maturados ou não estão bem definidos. Então, principalmente nessa área de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para Inovação, há muito a singularidade de cada demanda”.
“Portanto, é como se fosse assim: eu tenho a base de conhecimento geral, mas acaba que cada caso é um caso. E por mais que a gente tenha essa carga teórica do PROFNIT, que haja esse ponto de partida, que é a base de conhecimento, para saber como vai endereçar as demandas, como vai responder, tem também a questão da realidade do trabalho. Ou seja, é meio que um choque entre teoria e prática, que percebemos quando estamos atuando, em oportunidades como essa, de estar à frente de algum cargo de gestão”.
E o principal aprendizado é conseguir ter uma visão holística do todo, de como tudo acontece.
“E aí passa a refletir e perde até um pouco do que seria um preciosismo nas tarefas do dia a dia. Com essa experiência, eu deixei de lado esse preciosismo, passei a ter uma visão diferente, passei a entender melhor que, às vezes a gente é muito caxias com determinadas coisas que tem que ser seguidas ou processos, mas quanto confrontei com a realidade, vi que determinadas coisas mais atrapalham do que ajudam”.

Pode dar um exemplo?

“Na hora de se manifestar num processo, para cumprir todos os requisitos de uma legislação, corre o risco de se perder durante toda a demanda, pois na tentativa de dar segurança, acaba ficando mais demorado o processo. Precisa ter um meio de conseguir balizar, chegar a um ponto central onde possa cumprir a essência da legislação mas que não fique, de certa forma, totalmente preso, porque a legislação nem sempre se adequa à realidade do dia a dia”.
Outro exemplo são os prazos
“Existe as diferenças entre os atores dentro de um ecossistema, principalmente o ecossistema de inovação da Universidade. Ela tem a linguagem e os prazos próprios, e por outro lado, as empresas, o setor privado, também têm a linguagem e os prazos próprios, que são diferentes. Logo, é preciso ter esse feeling de conseguir equilibrar isso: de ponderar os requisitos e prazos da instituição com os requisitos e prazos do setor privado, pois são diferentes por terem finalidades, objetivos e modelos de negócios diferentes”.
Então, você está dizendo que
Quando está na responsabilidade da gestão máxima, tem uma visão e quando está na atuação no seu Departamento tem outro ponto de vista. Significa que quando outra pessoa estiver como Pró-Reitor(a) e tiver com uma demanda a ser resolvida, você entenderá realmente o que ele está passando?
Sim. Porque você passa a ter uma compreensão melhor, um entendimento melhor.
“Pois quando você está muito fechado só na sua atividade, você está querendo muito cumprir com aqueles seus requisitos, mas quando você tem a visão do todo, passa a entender melhor”.
Uma recomendação
Com base nesta experiência, se você tivesse que fazer uma recomendação para um colega Diretor, para melhorar o fluxo do trabalho, a dinâmica ou ainda para dar agilidade aos processos, qual seria?
Conversar com todo mundo. Dialogar com todos os atores envolvidos.
“É tentar entender os pontos principais do papel que cada um tem a exercer. Do meu ponto de vista, isso é fundamental. Pois, ao estar no cargo, você pensa na sua função, no que tem que cumprir, mas é necessário avaliar o objetivo e a essência da atividade que está sendo executada”.

“Nós somos interdependentes. Então, pensando na decomposição do trabalho, o Pró-Reitor não vai conseguir fazer determinada ação se não tiver a colaboração das diretorias, departamentos e tudo mais, tem que delegar certas demandas. A dica que eu dou, é ter muita comunicação, e resgato aqui o conceito da escuta ativa, pois temos que trabalhar esse movimento, procurar entender as partes e tentar chegar a um denominador comum”.
“Essa é uma dica de forma geral, mas é difícil, em determinados momentos, equilibrar isso, porque se não tomar muito cuidado, estará tratando um de certa forma e o outro de determinada maneira. Assim, não terá unicidade ou equidade de tratamento. Desse modo, tem que saber balancear bem ou você faz tudo moldado em um único formato, mas aí terá problemas no atingimento da essência, logo, terá que saber balizar, ou seja, buscar outros meios, outros caminhos para tentar alcançar as metas, mas sempre pensando naquele ponto central, que é a essência da atividade”.
Perspectivas de futuro
Penso em continuar me capacitando, continuar aprendendo.
“Porque isso é algo como um choque de realidade, pois quando você está na sua atividade, vê que tem um certo domínio e pensa: já estou com boa autoridade sobre isso, mas quando tem outras oportunidades, vê que nem sempre aquilo tudo que aprendeu se aplica. Portanto, vejo que é importante pensar nisso, sempre continuar se capacitando, aprendendo e eu sou muito dessa linha, tento me desenvolver, me capacitar e as oportunidades irão surgir”.

“Por isso, eu não diria que espero tal coisa ou tal cargo, sou meio desapegado em relação a isso, penso mais em adquirir as competências e o conhecimento, e as oportunidades surgirão, e quando elas aparecerem, você deve estar disposto a atuar. Eu acredito que por meio disso, de certa forma, terá algum reconhecimento, mas se não tiver, tudo bem, porque terão outros problemas e terão outras oportunidades”.
Concordo Gabriel, pois os problemas é que movem o mundo, visto que a necessidade de soluções impulsiona, inclusive as inovações.
Nos despedindo
Quais suas palavras para encerrarmos nossa conversa?
“uma frase que eu gosto é que”:
No trabalho a gente tem que ser 1% inspiração e 99% transpiração.1
“Eu penso que esta frase remete a termos que buscar minimamente se inspirar e mais pôr a mão na massa mesmo, tentar resolver as coisas, por isso que é 1% inspiração e 99% de transpiração”.
Agradecemos ao Gabriel Cavalcante por compartilhar conosco suas aprendizagens e pontos de vistas, e desejamos sucesso em sua jornada.
E você, tem uma história de desafios, superações e aprendizagens para compartilhar?
Entra em contato: lucijulia33@yahoo.com.br
Lúcia Martins
Em 16 jun. 2025
Fonte das imagens:
1. Escuta ativa: https://www.lideratacadista.com.br/post/a-import%C3%A2ncia-da-escuta-ativa.
2. Gabriel na renomada Copenhagen Business School (Escola de Negócios de Copenhague): https://www.instagram.com/p/DG6DDFJu8hw/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==
Quer saber mais sobre o PROFNIT?
1. UFAM: https://profnit.ufam.edu.br/
2. Nacional: https://profnit.org.br/
- Citação atribuída a Thomas Edison ↩︎



